segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Padre Beto, excomungado, diz que não quer voltar à igreja católica



Lembram do Padre Beto? aquele que foi excomungado pela igreja católica por defender o uso da camisinha, o sexo antes do casamento e o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo?

Recentemente ele deu uma entrevista ao El País, dizendo que não tem interesse em voltar à igreja católica. Disse que a igreja precisaria mudar muito para ele voltar.

Seguem abaixo alguns trechos de uma matéria do El País:
Padre excomungado segue vivendo no celibato e realiza casamentos (31/08/2014)
Roberto Francisco Daniel, de 49 anos, mais conhecido como padre Beto, foi excomungado pela Igreja Católica há mais de um ano, mas mesmo assim continua pregando os ensinamentos que o fizeram ser expulso da Igreja. Vem celebrando cerimônias de casamentos, inclusive entre casais homossexuais. [...] 
Nesses últimos meses, [...] continua mantendo hábitos do sacerdócio, inclusive afirma que mantém o celibato. [...]. Além de casamentos, ele comparece a velórios, mas "sem ser em nome da Igreja Católica". Dá aulas de filosofia, [...] ministra palestras na área de ética. Beto também aproveitou para lançar um livro, Verdades Proibidas, e agora se prepara para lançar em setembro Jesus e a sexualidade, em que aborda a sexualidade na Bíblia e qual é o fundamento da moral sexual da Igreja Católica.
[...] "Não existe fundamento na Bíblia que sustente a postura da Igreja diante do sexo", afirma.
Padre Beto é categórico: não quer voltar para a Igreja Católica, muito menos fundar uma igreja própria. "Acho que o ciclo se encerrou. A Igreja precisaria mudar muito para que eu conseguisse voltar para ela", afirma.
Nascido em uma família católica, foi criado dentro da religião, em um núcleo da Teologia da Libertação, linha mais aberta da Igreja. Na faculdade, cursou História e Direito, foi professor, mas resolveu entrar para o sacerdócio em 1991. "Se tivesse nascido em uma família evangélica, seria pastor. Se fossem budistas, me tornaria um monge", explica ele.
[...] Ele aceitou ir para a Alemanha, onde fez seu mestrado em Teologia [...] ele resolveu voltar ao Brasil em 1998 para se ordenar padre. Depois, foi novamente para a Europa e fez seu doutorado[...]
Quando voltou ao Brasil para ficar, em 2001, ele encontrou uma Igreja Católica diferente da que havia deixado anos antes. A Igreja havia se distanciado da política, da economia e se tornara mais dogmática. "Antes, nós tínhamos uma Igreja que queria humanizar as pessoas, não convertê-las para o catolicismo", afirma ele.
Pelo que pesquisei, o padre ainda não foi realmente excomungado, porque ainda resta a decisão do Vaticano para que isso ocorra. Creio que ele não vai ser excomungado, devido às novas posições assumidas pelo papa Francisco.

Não faria muito sentido um padre ser excomungado por defender a união entre pessoas do mesmo sexo, numa época em que o próprio papa Francisco já trata o assunto de forma mais amigável, diferente do seu antecessor, Bento XVI, que dizia que o casamento homossexual era uma ameaça à humanidade.

Mas pelo visto, o padre Beto não quer voltar à igreja católica. Sua expulsão pela diocese deve ter sido muito traumática. 

Roberto Francisco é exatamente o tipo de padre que a igreja católica precisa hoje.

Um padre que saiba se comunicar com os mais jovens, que entenda dos problemas da nossa realidade no século XXI e que não use seu título apenas para pregar moralismos. Nos dias de hoje, uma igreja se posicionar contra métodos anticoncepcionais é desejar ficar totalmente parada no tempo. "Ser contra o uso da camisinha no Brasil é um crime", disse o padre na entrevista.

Só espero que o papa Francisco viva ainda por muitos anos e que inspire a nova geração de padres e de fiéis católicos para que usem sua fé na direção da construção de uma sociedade melhor e não apenas para reprimirem os desejos e o modo de vida daqueles que não seguem os padrões de comportamento estabelecidos pelas igrejas.

Sou católico, mas já faz anos que perdi o interesse de assistir a uma missa. Passam-se 20 anos e a pregação parece ser a mesma coisa engessada, que nunca muda. Raríssimos padres hoje prendem a minha atenção. Se houvesse na minha cidade um padre como Beto, provavelmente voltaria para a igreja. Mas pelo visto, a igreja não quer que pessoas como ele preguem. Ao ver isso, é como se a igreja estivesse dizendo que também não me quer lá dentro...

Se tiver um tempinho livre, aproveite e assista a participação do padre Beto no programa De Frente com Gabi em 3 de julho de 2013:



Também recomendo que leia o texto que fiz contando um pouco da história de Dom Helder Camara, um arcebispo brasileiro altamente progressista que tentou de todas as formas fazer uma mudança radical na forma de agir da igreja católica. Sua pregação a favor dos pobres e contra os problemas do capitalismo era tão intensa, que lhe rendeu o rótulo de comunista, chegando a ser ameaçado pelo governo militar.

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