quarta-feira, 16 de abril de 2014

O Brasil é o campeão mundial de cesáreas



Há pouco tempo fiz aqui no blog um texto discutindo sobre o absurdo dos médicos brasileiros, principalmente na rede privada de saúde, estarem se recusando a fazer parto normal.

Jornalismo Alternativo - os médicos não querem mais fazer parto normal?

Pelos vários relatos que fico sabendo e pelos dados que pesquisei recentemente, percebi que a quantidade de cesáreas no Brasil é muito grande, mas não imaginava que o Brasil era o país no mundo que mais fazia esse tipo de parto.

O índice de cesáreas recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 15%, mas no Brasil chega a 52% dos partos. na rede privada, o índice vai para 83%. O que no passado era exceção, se tornou regra.

Seguem alguns dados extraídos de uma matéria da Agência Pública, comparando a quantidade de partos normais e cesáreas em 2010 e 2011, nas redes públicas e privadas de saúde:




Conforme dá para ver nos gráficos acima, os dados são de 2010 e 2011 e é possível perceber um aumento na quantidade de cesarianas em 2011. Se a tendência tiver sido mantida, então em 2014 teremos bem mais partos desse tipo.

O maior problema em relação a esse tema é que as mulheres que desejam ter seus filhos de parto normal ficam praticamente sem escolha. Para todos os lugares onde vão, os médicos só querem fazer cesáreas. 

Abaixo segue um trecho de uma matéria da BBC Brasil sobre o tema:


'Desvalorização' de parto normal torna Brasil líder mundial de cesáreas
Quando a fotógrafa Daniela Toviansky, de 35 anos, ficou grávida, passou a frequentar aulas de hidroginástica com outras gestantes em estágios próximos de gravidez. Ela lembra que, entre uma aula e outra, todas manifestavam um desejo em comum: ter filhos por parto normal. "Todas acabaram fazendo cesárea", conta Daniela, que se tornou a exceção. Seu bebê, Sebastião, nasceu após 40 semanas de gestação e da forma como ela queria. [...]
Um caso extremo chamou a atenção há três semanas, quando a gaúcha Adelir Lemos de Goes, uma mãe de 29 anos de Torres (RS), foi obrigada por liminar da Justiça a ter seu bebê por cesárea. Ela foi levada à força ao hospital quando já estava em trabalho de parto, [...] O caso também levou centenas de pessoas a saírem às ruas, em cidades do Brasil e do exterior, para protestar na última sexta-feira. 
Uma pesquisa feita pela Fiocruz [...] acompanhou 437 mães que deram à luz no Rio, na saúde suplementar. No início do pré-natal, 70% delas não tinham a cesárea como preferência. Mas 90% acabaram tendo seus filhos e filhas assim — em 92% dos casos, a cirurgia foi realizada antes de a mulher entrar em trabalho de parto.
Poucas mães e futuras mães sabem, por exemplo, que as cesáreas aumentam o risco de um bebê nascer prematuro (com menos de 37 semanas de gestação). Isso porque muitos partos são marcados para essa idade gestacional e, como há possibilidade de erro de até uma semana, o bebê pode ser ainda mais novo. [...] Além de ser a causa de mais da metade das mortes de crianças no país, a prematuridade pode trazer uma série de riscos para o bebê, especialmente doenças respiratórias e dificuldade de mamar. Eles também deixam de se beneficiar do contato com hormônios que são liberados apenas em certos estágios do trabalho de parto.
Apesar de na rede pública o obstetra ganhar um pouco a mais pela cesárea e, na privada, um pouco a mais pelo parto normal, a diferença de valores é mínima. Ou seja, um profissional recebe quase a mesma coisa para fazer uma cesárea, que dura cerca de 3 horas, e um parto normal, que pode muito bem passar das 12 horas.
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