quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Um Documentário sobre o jornal feito por moradores de rua


O documentário "Boca de Rua - Vozes de uma gente invisível" é curtinho. Tem apenas 10 minutos, mas é algo muito bom de assistir. 

Duas jornalistas, Rosina Duarte e Clarinha Glock, tiveram a idéia de criar um jornal onde os moradores de rua de Porto Alegre contariam suas histórias. A partir desse projeto nasceu o jornal "Boca de Rua", cujo lema é "Enquanto você dormia, muita coisa acontecia".

No jornal há notícias sobre violência policial, incêndios em favelas e discussões sobre os problemas da cidade. 

Os próprios moradores de rua fazem o jornal e o vendem nos semáforos da cidade, fazendo do jornal um veículo de comunicação e um trabalho digno para todos eles. Mais de 150 pessoas já passaram pelo jornal e cerca de 70 deixaram de morar nas ruas.

A gente não tem faculdade, a gente não tem escolaridade, a gente não tem diploma, a gente mal tem um certificado, mas a gente faz coisa que muito gravatinha que tá sentado numa cadeira não faz.

São trabalhos como esse que me inspiram. Sempre que via documentários que mostravam realidades que poucos enxergavam, que tentavam fazer as pessoas refletirem sobre realidades invisíveis do dia-a-dia, ficava encantado. Admiro muito a coragem das pessoas se dedicarem a projetos de documentário que talvez jamais passarão na TV e no cinema, mas que ajudam à construir melhores consciências sobre os problemas da sociedade.

Foi inspirado nesse tipo de documentário político que criei o meu documentário "Derrubaram o Pinheirinho". Foi o trabalho mais gratificante que já fiz em minha vida e futuramente farei outros documentários. Como hoje as pessoas tendem a passar muito tempo na internet e pouco tempo lendo livros, documentários são ferramentas poderosas para ajudar na conscientização das pessoas. 

Iniciativas como a dessas duas jornalistas de criar esse jornal são muito importantes para dar voz àqueles excluídos, que não têm quase nenhum espaço na grande mídia e muitas vezes quando aparecem, estão lá apenas para entreter os espectadores/leitores.

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